Censura: funcionário do Expresso é agredido em Quissamã

Agressão foi cometida por um homem identificado como Vagner, irmão de Alexandra Moreira

Por Jornal Expresso 07/07/2017 - 11:43 hs

Num ato que remete aos anos de chumbo da Ditadura Militar, onde os “coroneis” mandavam e desmandavam nas cidades do interior a imprensa da região sofreu, mais uma vez, uma agressão em seu livre exercício. Na última quarta-feira, o funcionário do Expresso Regional, Antônio Moraes de Souza, um senhor de 65 anos, foi agredido fisicamente enquanto distribuía o jornal na cidade de Quissamã. De acordo com a vítima e outras testemunhas que estavam no local, a agressão foi cometida por um senhor de nome Vagner, irmão da vereadora Alexandra Moreira. Segundo o relato da vítima, que se dirigiu à 130 DP e registrou queixa, Vagner lhe agrediu com um soco, o derrubou no chão e ainda lhe deu pontapés na costela. A agressão teria sido causada em retaliação a matéria que estampava a capa do jornal, que fala de uma investigação do MP sobre um contrato milionário celebrado entre a empresa R.Quimer (de propriedade da mãe de Alexandra e Vagner) com o governo de seu cunhado, o ex-prefeito Armando Carneiro.

Antônio Moraes foi atendido no Hospital Municipal de Quissamã e, de lá, partiu para a delegacia onde registrou queixa. Além da agressão física contra um idoso, há também o relato de assédio e injúria, também relatado na delegacia. O assédio, segundo relato feito à DP, foi cometido pelo próprio ex-prefeito Armando Careiro (cunhado do agressor) que nas última semanas tem perseguido o funcionário do jornal com palavras ofensivas, além de tirar fotos, gravar vídeos e afirmar que o o mesmo “iria se dar mal”.

O motivo das agressões e do assédio são as matérias que o jornal vem publicado nas últimas semanas relatando a assinatura de contrato com a empresa da “Família Moreira”. Após denúncia, publicada originalmente em abril, o jornal passou a receber uma série de processos judiciais da própria Alexandra, na tentativa de proibir sua circulação. Como, pelas vias judiciais, a censura não funcionou (pelo contrário, atraiu a atenção do MP que passou a investigar o casal Alexandra/Armando) a tentativa de intimidar o jornal ganhou contornos mais violentos, com o assédio ao funcionário da empresa nas últimas semanas, além da agressão cometida, segundo testemunhas, pelo próprio irmão da vereadora.

 

 

EDITORIAL: NÃO NOS CALARÃO

 

O Jornal Expresso Regional, vem por intermédio desta nota, informar que tentativas de intimidação não vão impedir que cumpramos a nossa função: levar a informação, doa a quem doer, a quem realmente interessa: a população. Nosso jornal tem 12 anos no mercado, e desde a sua primeira edição, em 6 de maio de 2005, sempre foi distribuído gratuitamente nas cidades de Macaé, Quissamã, Rio das Ostras, Carapebus, Conceição de Macabu e Casimiro de Abreu. E, neste período, nunca sofreu algo semelhante ao que aconteceu na última quarta-feira: um funcionário ser agredido porque uma matéria não era do agrado de determinada pessoa.

Circulamos em todas estas cidades e, em todas elas, já publicamos denúncias que desagradaram a políticos dos mais variados partidos. No entanto, em Quissaamã, desde o período eleitoral do ano passado, a situação tem se agravado e tomando contornos nunca vistos. A agora vereadora Alexandra Moreira e seu marido, Armando Carneiro vem empreendendo uma verdadeira cruzada na tentativa de calar o jornal e, assim, impedir que fatos referentes ao seu passado de quando governaram a cidade venham à tona. Usando a carteira da OAB como lança e o judiciário como escudo, a vereadora moveu um sem número de ações e até tentou impedir o jornal de circular na cidade. No entanto, como o judiciário de nossa região é independente e não se curva a vontade de político algum, estas tentativas de censurar o trabalho da imprensa tem se tornado infrutíferas. No entanto, o desejo de nos calar, continuou latente.

Nas últimas semanas, o senhor Antônio Moraes de Souza, um aposentado humilde que complementa sua renda familiar prestando serviços de distribuição de nosso jornal (não apenas em Quissamã, mas também em toda a região) vem sendo insistentemente perseguido e assediado todas as vezes em que distribuiu o jornal em Quissamã. Mesmo alheio aos problemas políticos e judiciais que envolve o casal Alexandra/Armando, Sr. Antônio tem sofrido os mais diversos assédios psicológicos (de perseguição fotográfica a filmagens intimidadoras), no entanto continuou trabalhando sem se intimidar, assim como faz nos últimos seis anos em que presta serviços para nossa empresa. Mas, na última quarta-feira, a situação fugiu ao controle.

Antônio Moraes, que além de idoso, voltou a trabalhar há apenas dois meses, pois estava se recuperando de um acidente que quase lhe custou a vida em dezembro passado, foi covardemente atacado por um jovem descontrolado que não teve pudor de agradir um senhor que poderia ser seu pai. Sem defesa, pois ainda sente dores do último acidente, onde teve a clavícula, o fêmur e o ombro fraturados, Antônio foi jogado no chão e levou vários pontapés. Se estivesse em local ermo, sem testemunhas por perto, corria até o risco de ter sua vida ameaçada pelo ódio deste jovem, identificado como irmão da vereadora Alexandra, quanta covardia!

Como empresa, lamentamos que, numa cidade tão calma e ordeira como Quissamã ainda haja políticos que se comportem como coronéis. Também lamentamos o fato de um trabalhador ter sido agredido enquanto trabalhava honestamente para sustentar sua família. Isso não vai ficar impune! Que os responsáveis paguem pelo que fizeram, com as duras penas da lei. Quanto a nós, do Expresso, só temos uma coisa a dizer: não adianta processar, caluniar e nem partir para a violência. Nada vai nos impedir que exercemos nosso papel enquanto imprensa livre. Vivemos em uma democracia e, por ela, devemos lutar. Os coronéis não vão triunfar!