Cadeia Velha: TRF2 converte prisões temporárias em preventivas

Por Jornal Expresso 27/11/2017 - 10:58 hs

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF2) decretou a prisão preventiva de Felipe Carneiro Monteiro Picciani, Ana Claudia Andrade e Fabio Cardoso do Nascimento, que estavam presos temporariamente devido à Operação Cadeia Velha. O MPF pleiteou a conversão da prisão temporária do sócio-administrador da agropecuária Agrobilara, de sua gerente financeira e do funcionário da Assembleia Legislativa (Alerj), presos há dez dias, por serem imprescindíveis à reiteração criminosa e ocultação de recursos fruto da corrupção. 

Picciani e Andrade vinham atuando a serviço do deputado estadual Jorge Picciani; Nascimento agia em prol do deputado Paulo Melo. No pedido de conversão da prisão, o MPF na 2a Região (RJ/ES) detalhou dois casos de lavagem de dinheiro envolvendo Felipe Picciani e vendas de gado: uma superfaturada à Carioca Engenharia e outra subfaturada à Josan Agropecuária, do ex-presidente do Tribunal de Contas (TCE/RJ) Jonas Lopes de Carvalho Júnior. 

No caso da Carioca, o superfaturamento permitiu a devolução de cerca de R$ 1 milhão em espécie para pagar, com recursos do Estado do Rio, propina para o ex-governador Sérgio Cabral e outras pessoas em troca de contratos para a construtora. Para a Josan, foram vendidos 170 animais usando notas fiscais com valor abaixo do preço pago (R$ 1,05 milhão) e a diferença era paga em espécie pelo conselheiro ao filho do presidente afastado da Alerj. 

“A investigação sobre Felipe Picciani ultrapassa sua participação citada por colaboradores. Recai sobre operações mais significativas das vendas da Agrobilara, pois os delitos decorrem da sua atividade, por meio da qual mistura negócios lícitos e ilícitos, com posição de destaque no meio, emprestando aparente credibilidade aos negócios da família”, afirmam os procuradores regionais da República Andréa Bayão, Carlos Aguiar, Mônica de Ré, Neide Cardoso de Oliveira e Silvana Batini, do Núcleo Criminal de Combate à Corrupção (NCCC) do MPF na 2ª Região. 

Segundo os investigadores da Operação Cadeia Velha, Felipe Picciani também atuava nas finanças das fazendas do grupo, apesar de insistir em dizer que respondia só pela parte técnica da Agrobilara. O pedido do MPF acolhido pelo desembargador federal Abel Gomes, relator dos processos da Lava Jato no TRF2, se embasou ainda em análises da Receita Federal e nas buscas e apreensões feitas pela Polícia Federal. Não foi pedida a conversão da prisão da investigada Marcia Rocha Schalcher de Almeida, por ter se concluído até o momento que ela não continua trabalhando para ocultar os recursos ilícitos destinados a Picciani.