Embaixada da República da Guiné no Brasil é alvo de denúncias de irregularidades

Ex- assessor de Comunicação da Embaixada, Mohamed Lamine Nabe apresentou na data de hoje requerimento para uma Audiência com o Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira

Por Jornal Expresso 05/02/2018 - 19:09 hs

A República da Guiné, país localizado na África Ocidental e que teve recentemente a representação máxima na União Africana através do seu presidente Alpha Conde e que possui representação diplomática em Brasília, teve na data de hoje um requerimento de audiência com o Ministro das Relações Exteriores protocolado pelo ex- assessor de comunicação da Embaixada, Mohamed Lamine Nabe com o intuito de relatar e apresentar provas de inúmeras irregularidades cometidas pelo ex- Embaixador Mohamed Youla e sua equipe.

As irregularidades descritas por Mohamed, envolvem o desvio de recursos públicos do Governo da Guiné para aquisição de imóvel da representação diplomática no Brasil, sonegação de impostos, ameaça, fraude documental, venda de passaportes e de cargos honorários, violação de direitos trabalhistas dos funcionários da embaixada, dentre outros.

Segundo o requerimento, o ex- assessor de comunicação pretende na audiência com o Ministro das Relações Exteriores apresentar provas que comprovam a prática de ilícitos por diplomatas e de autoridades pertencentes ao Banco Central e do Departamento das Relações Exteriores da República da Guiné.

Mohamed foi demitido em dezembro de 2016, após ter descoberto e afirmado que iria denunciar ao governo da Guiné, uma associação criminosa com o fim único de lesar os cofres públicos do seu país de origem.

No requerimento consta que o ex- assessor foi ameaçado de morte por diplomatas da embaixada e desde então tem constantemente mudado de endereço pois estaria sendo perseguido por um grupo armado e que supostamente estaria ligado a Embaixada, tendo em vista que esta de posse de documentos que comprovam graves irregularidades e crimes cometidos pelo alto escalão diplomático em exercício no Brasil.

Mohamed Nabe, que também é cidadão brasileiro naturalizado, decidiu por buscar amparo no Ministério das Relações Exteriores após infrutíferas tentativas de alertar o governo da República da Guiné sobre o sistema de corrupção que se instalou na Embaixada. O ex- assessor também apresentará nos próximos dias representações na Comissão de Direitos Humanos da ONU, ao MPF e a Interpol.

 

Segundo Nabe, a aquisição do imóvel que hoje é sede da Embaixada no Brasil, foi superfaturada, ou seja, o ex- Embaixador Mohamed Youla solicitou ao Governo da Guiné um valor muito superior ao que foi realmente pago ao vendedor, o que levou também a sonegação de impostos no Brasil e falsificação de documentos.

 

O ex- assessor denuncia que há anos na Embaixada é prática comum, o pedido de vantagem financeira para a emissão de passaportes diplomáticos e nomeação de cargos

de cônsul honorário, chegando-se em alguns casos a exigência de 100 mil dólares para que brasileiros fossem indicados a cargos honorários diplomáticos em seus Estados.

 

“O dinheiro desviado da Embaixada foi utilizado supostamente para enriquecimento ilícito do Ex- Embaixador Mohamed Youla e de diplomatas ligados a ele e para alimentar semanalmente festas regadas a muita bebida e mulheres.

 

Ao mesmo tempo em que a República da Guiné alcança índices de desenvolvimento no continente africano, torna-se do outro lado do oceano, alvo de escândalos promovidos por diplomatas que deveriam fomentar as relações institucionais e de negócios com o Brasil, mas que lamentavelmente estão jogando o nome do país num mar de lama", finalizou Mohamed Lamine.

 

Abaixo veja a foto do embaixador e os documentos que instruem a denúncia:

 

requerimento ministerio